sábado, 19 de novembro de 2016

SUPLEMENTOS ALIMENTARES: PORQUE QUASE TODOS NÃO FUNCIONAM (COMO A INDÚSTRIA TE ENGANA)



http://www.icaro.med.br/wp-content/uploads/2016/02/Dibujo-810x467.jpg


Diversas pessoas contestam as postagens do blog, pois usam os suplementos e percebem efeitos na prática. Essa postagem é dedicada a essas pessoas. E mais um aviso: O blog não possui lucro algum, e estamos sempre comprometidos com a verdade, ou a realidade mais próxima dela. E a indústria, na maioria das vezes, visa o seu lucro. Acreditar em propagandas ou em artigos científicos? Eis a questão. Abaixo listarei uma série de fatores que influenciam nos efeitos dos suplementos que a ciência não consegue provar que existem (mas a indústria, somente em suas propagandas, sim):

EFEITO PLACEBO

O efeito placebo, que nada mais é do que um efeito positivo como melhora no perfil de alguma doença, situação de saúde, fisiológica, ou até mesmo casos de cura, causado por um uso de uma substancia sem efeito algum, por exemplo, uma pílula de farinha.  Ele atua principalmente em doenças que envolvem dor, náuseas e certas situações psicológicas, como indisposição, depressão, nervosismo. Talvez esse seja um dos maiores motivos para que os suplementos sejam usados, já que as empresas sabem que, mesmo que o suplemento não cause um efeito positivo, ou placebo, como ele é apenas um alimento, (suplementos alimentares não são medicamentos) poucos males podem causar. E o investimento em propagandas dos suplementos, é, obviamente, bem maior do que nas pesquisas para saber se eles são superiores a um placebo (na maioria esmagadora das vezes não são superiores). Mas, mesmo estes produtos promovendo um efeito placebo, não são uma boa opção, seja por que, o efeito placebo não é muito relevante na maior parte dos casos, ou por não funcionar em todos os casos, e paga-se muito caro por isso. Fora o fato de estar sendo enganado como consumidor, apenas gerando lucro às empresas. Nota: Muitas pessoas com sérias doenças podem estar usando tratamentos ou procedimentos sem comprovação científica e estar pondo em risco sua vida e saúde. Estejam atentos a isso!

Sobre este efeito é importante ressaltar:
·         O efeito placebo ocorre mesmo se o paciente souber que está a usar um placebo.
·         Cirurgias também funcionam como placebo.
·         Cor, tamanho, quantidade de vezes que se usa um comprimido, podem aumentar o efeito placebo.


https://farmaceuticort.files.wordpress.com/2016/02/9061e-efeitoplaceboumasensac387c383oquecuraeconforta.jpg


Muitas pessoas que vieram ao blog e comentaram que usavam algum suplemento e sentiram efeitos positivos na pratica, e garantem: NÃO É EFEITO PLACEBO!!EU SENTI ISSO NA PRATICA! Por que eu não acredito nesse argumento? Simples, explico abaixo:

Como uma pessoa, que compra o suplemento para uso próprio, já sabendo a indicação,  sendo extremamente influenciado pela propaganda da empresa,  internet, ou por que um amigo disse que o produto é maravilhoso,  vai conseguir avaliar se é ou não efeito placebo?

Pensem por essa lógica. A pessoa já usa o produto com a influência de que ele irá fazer bem. Os poderes da indução desses fatores tornam o efeito placebo muito mais fácil de ocorrer nessas situações. E o que os estudos científicos fazem? JUSTAMENTE, TENTAM ELIMINAR ESSE ERRO!Geralmente os estudos são ditos DUPLO CEGO, ou seja, o paciente não sabe o que está tomando, e nem o pesquisador que entrega o comprimido, também não sabe, se ele é placebo ou o tratamento a ser avaliado. Apenas um pesquisador, que coordena o estudo saberá qual grupo irá tomar placebo, ou o tratamento. Por aí vocês percebem qual a diferença entre tomar NA PRATICA EM CASA e tomar na pratica do estudo (sim porque o estudo é na pratica também, para os que acham que não). Como ninguém sabe o que está tomando, fica muito mais fácil saber se é efeito placebo ou não.


www.naopossoevitar.com.br/

http://revistavivasaude.uol.com.br/upload/imagens_upload/placebo_1.jpg


Muitas pessoas também confundem certas praticas com efeito placebo. Nem sempre ele é o responsável. Seguem alguns bons exemplos:

Suplementos para emagrecer: São um dos tipos de suplementos mais usados. Mas geralmente quem os usam, são pessoas que, ao mesmo tempo que os tomam, fazem dieta adequada, exercícios físicos  e começam a dormir bem. Tudo isso, influencia muito mais para a perda de peso do que tomar o suplemento, propriamente dito. Sem ele o resultado seria praticamente o mesmo. Não é a toa que não conheço nenhum suplemento alimentar efetivo para perda de peso. A cafeína até pode ajudar teoricamente nisso,assim como alguns outros termogênicos, mas a perda de peso é tão insignificante, que é desprezível.

Vitaminas para ganho de peso: Vitaminas não engordam e nem possuem calorias. Em casos de deficiência de algumas delas, como as do complexo B, o apetite pode ser comprometido, e, por isso, algumas pessoas ao usarem produtos contendo vitamina B, como complexo B ou levedo de cerveja, tendem a restaurar o apetite, e com isso acabam comendo mais, consequentemente ganhando peso. Veja bem, caro leitor, não é a vitamina B que faz o indivíduo ganhar peso, necessariamente. Pessoas com níveis normais de vitamina B não irão ganhar peso pelo uso dessas substancias, pois, muito provavelmente seu apetite não será alterado. Inclusive o levedo de cerveja é usado para emagrecimento. Totalmente contraditório à propaganda do produto para ganho de peso e massa muscular. Na prática dos estudos, o levedo se sai mal, tanto para ganho como para perda de peso. Nota: existem complexos vitamínicos que contém MEDICAMENTOS estimulantes do apetite. Nesses casos, eles são os responsáveis pelo ganho de peso.

Adulteração de suplementos: Sim. Existem produtos contaminados no mercado, seja por hormônios, como, por exemplo, os anabolizantes, para ganho de massa, ou por medicamentos como a sibutramina, que gera emagrecimento. Isso é bem lógico: Se os suplementos realmente funcionassem, por quais motivos as empresas iriam tentar adulterá-los? Pense nisso. Existe uma matéria inteira sobre isso no blog:

Sugestão: Documentário sobre placebo: https://www.youtube.com/watch?v=4Zb5y9FngHw


METODOLOGIAS DUVIDOSAS,  E OUTROS PROBLEMAS DE ARTIGOS QUE CONFIRMAM QUE O PRODUTO FUNCIONA, MAS NEM SEMPRE ISSO É VERDADE


Nem sempre o artigo que diz que o suplemento funciona é valido. Existem artigos bons e ruins. Às vezes eles podem ter resultados iguais, ou totalmente contrários. Vejamos o que pode influenciar em uma pesquisa:
  • O tempo curto em que as pesquisas foram feitas: Muitos efeitos prometidos por suplementos são difíceis de resolver, até mesmo com uso de medicamento, hormônios, etc. Eles podem levar muito tempo para ter efetividade no organismo. E o que vemos em pesquisas com suplementos? Estudos feitos em poucos dias, semanas ou um mês. Raramente se vêem estudos que duram meses. Isso compromete muitos resultados.
  • O investimento da indústria pesquisas: Esse fator é bem óbvio. Geralmente, quando se usam suplementos de marca, ou quando a indústria financia o estudo, ele possuirá resultados favoráveis ao produto pesquisado. Estudos financiados podem ser TOTALMENTE tendenciosos. Há conflito de interesses claros. Um bom exemplo é o caso do ZMA:
  • Estudos feitos em animais: Não podemos tomar como verdade absoluta estudos feitos em animais. Existem diferenças fisiológicas que impedem que o efeito seja o mesmo, e nem sempre se pode extrapolar os resultados aos seres humanos.
  • Pequeno número de participantes: Outro grande problema dos estudos sobre suplementos. Geralmente são feitos com 20, 30 pessoas. Raramente chegam perto de 100 indivíduos. Estudos precisam ter uma amostra bastante significativa. Existem estudos com mais de 5, 10 mil pessoas, por exemplo. Mas, por que isso é importante? Porque existe o efeito placebo e existe o acaso, as coincidências. Sabe aquela história de que: Ah, mas fulana usou isso e deu certo. Pois é. Mas não é porque fulana disse isso, vai ser verdade. Pode ter dado certo por simples acaso. E quanto mais pessoas estiverem contidas em um estudo, onde estão sendo observadas e controladas, o efeito do acaso, e também do efeito placebo, tendem a ser menores. Estudos com grandes amostras possuem poder de probabilidade para encontrar diferenças, grandes ou pequenas se elas existirem. Ex: Eleições. Quanto mais eleitores você leva pra uma pesquisa, menor o erro e mais perto da realidade de saber quem é o candidato eleito você terá. 
  • Publicações em revistas não confiáveis: Muitos artigos que induzem as pessoas a acreditarem que os suplementos funcionam são publicados em revistas não especializadas e que não possuem relevância alguma no meio acadêmico.
  • Reprodutibilidade do estudo: Para termos certeza de algo que foi publicado num artigo é certo, temos que ver outros artigos, feitos por outras pessoas, e constatar se aquele resultado é reprodutível ou não. No caso de suplementos, o que mais vemos são estudos com resultados contraditórios. E coincidentemente, ou não, os estudos positivos geralmente são os patrocinados, ou publicados em revistas ruins.
  • Escolha aleatória de pacientes ou randomização: Isso é de extrema importância, e praticamente quase nenhum estudo sobre suplemento faz. Explico. Vamos supor que uma substância x tenha efeitos somente no sexo masculino. E o estudo não escolhe aleatoriamente, ou seja, não randomiza as pessoas que entrarão na pesquisa, e aí só entram homens na mesma que irá testar o produto x. O produto irá funcionar na pesquisa, mas, vocês acham mesmo que quando o produto for vendido, eles irão indicar apenas em homens? Óbvio que não. Outro ex: Uma pesquisa feita em outra substancia y, dessa vez para curar infecção. Vamos supor que o pesquisador, tendenciosamente, escolha para o grupo placebo pessoas com casos mais graves, e para grupo da substância y casos mais leves. O fato de não randomizar pode influenciar nesse resultado. Daí a importância de escolher aleatoriamente, para que ambos os grupos, tenham características semelhantes.
  • Tipos de estudos: Imagem abaixo lista do melhor (topo da pirâmide) até os piores tipos de estudos (base da pirâmide):
http://fitciencia.com/wp-content/uploads/2016/03/evidencia.png



Enfim, existem diversos pontos a serem criticados a depender de cada artigo. Cada um possui sua particularidade além dos acima citados, e cabe discuti-los quando cada artigo é exposto em particular, assim como fizemos na postagem do tribulus terrestris http://farmacotrofia.blogspot.com.br/2012/12/tribulus-terrestris-funciona-ou-nao.html

Alguns leitores podem pensar: Ah, mas a ciência nem sempre está certa. Às vezes ela mesmo se contradiz. Não. A ciência evolui, e com isso alguns conceitos, antes mal pesquisados, hoje, podem ser mais elucidados, e por vezes, geram resultados que são contrários a pesquisas antigas e ultrapassadas. A ciência não pára. A Cada dia surgem novas pesquisas, com novas metodologias e melhor qualidade. E se com isso, algum suplemento dito aqui que não funciona, vier a ter seu efeito comprovado, voltaremos à postagem e nos retrataremos, assim como todo bom pesquisador faz.

 Obrigado por ler o farmacotrofia. Sinta-se à vontade para perguntar, elogiar ou criticar o blog nos comentários!!

sábado, 23 de janeiro de 2016

USAR AZEITE PARA COZIMENTO E FRITURA É RUIM? SAIBA TUDO SOBRE O MITO DO AZEITE

Adaptado de http://authoritynutrition.com/is-olive-oil-good-for-cooking/



O azeite é um óleo extremamente saudável carregado com gorduras benéficas e antioxidantes poderosos. O azeite também tem sido um alimento básico para algumas das populações mais saudáveis ​​do mundo.

Dito isto, pode haver um problema com azeite...

Muitas pessoas acreditam que ele não é adequado para cozinhar por causa das gorduras insaturadas. Muitas pessoas acreditam nesse mito, devido a reportagens na TV, internet, e em opiniões de profissionais de saúde mal informados. Mas, graças as pesquisas científicas, sabe-se que isso não passa de um grande mito. Hoje, eu gostaria de explicar por que o azeite é uma excelente escolha para cozinhar, mesmo para métodos de alta temperatura, como fritura.

Porque a Estabilidade de Óleos Alimentares é Importante


Quando as gorduras e óleos são expostos ao calor elevado, elas podem ser danificadas.

Isto é particularmente verdadeiro para os óleos que são ricos em gorduras poli-insaturadas (que possuem várias insaturações ou duplas ligações), incluindo a maioria dos óleos vegetais, como soja e de canola. Quando superaquecidos, eles podem formar vários compostos nocivos ... incluindo os peróxidos lipídicos e aldeídos, que podem contribuir para o câncer  (Artigos 1 e 2)

Ao cozinhar com estes óleos, alguns dos compostos carcinogênicos vaporizam efetivamente e podem contribuir para o cancro do pulmão, quando inaladas. Portanto, apenas estar presente numa cozinha onde estes óleos são utilizados podem causar danos a saúde (Artigos 3 e 4)

Se você quiser minimizar sua exposição a compostos prejudiciais e cancerígenos (sempre uma boa ideia), então é essencial  cozinhar apenas com gorduras que são estáveis ​​no calor elevado. Há duas propriedades de óleos de cozinha que mais importam:

·      Ponto de fumaça: A temperatura na qual as gorduras começam a quebrar e se transformar em fumaça.

·       Estabilidade oxidativa: Como as gorduras são resistentes a reagir com o oxigênio.

Como vou descrever abaixo, o azeite faz muito bem em ambos os aspectos. Para mais informações sobre como escolher as certas gorduras / óleos, confira este detalhado artigo (em inglês) sobre as gorduras mais saudáveis ​​para cozinhar:


Azeite é composto de muitas gorduras monoinsaturadas, que são estáveis quando aquecidas


Para ficar fácil o entendimento, insaturações são ligações duplas presente nas ligações das gorduras ou ácidos graxos. Um óleo POLI-insaturado possui várias cadeias com muitas insaturações. Já um ácido graxo MONO-insaturado, possui várias cadeias com apenas uma insaturação em cada componente. Um óleo saturado não possui ligações duplas. Quanto mais insaturações o óleo possuir, mais instável a altas temperaturas ele é. 


Aqui está a parte importante... as ligações duplas são instáveis (mais fáceis de serem destruídas) ​​quando aquecidas e eles tendem a reagir com o oxigênio.

Esta é a razão pela qual as gorduras saturadas(de zero ligações duplas), como o óleo de coco são muito resistentes ao calor e excelentes óleos para se cozinhar (Artigo 5). Embora a maioria dos óleos vegetais contêm ácidos gordos poliinsaturados com muitas ligações duplas, o azeite contém principalmente mono-insaturados. São somente os óleos (ácidos graxos) poliinsaturados (como aqueles em óleos de soja e canola) que são prejudiciais (artigo 6).

Claro ... óleos são geralmente uma mistura de diferentes tipos de ácidos graxos. O azeite, por exemplo, é de 73% mono-insaturado, poli-insaturado 11% e 14% saturado (artigo 7).

Em outras palavras, os monos- insaturados resistentes ao calor e gorduras saturadas constituem 87% do azeite.

Azeite Extra Virgem é rico em antioxidantes e vitamina E, que ajudam a combater Oxidação

 


Único azeite extremamente recomendado ao cozimento/frituras é o azeite extra-virgem, pela alta concentração de substâncias antioxidantes. Ele é derivado da primeira prensagem a frio das azeitonas  e contém inúmeras substâncias bioativas, incluindo antioxidantes poderosos e vitamina E (Artigos 8 e 9). 

Para saber quais as melhores marcas de azeite para comprar acesse: http://www.oquecomerhoje.net/2013/11/azeites-extra-virgem-reprovados-e.html

O azeite contém vitamina E e muitos antioxidantes poderosos.Estas substâncias protegem o óleo contra danos durante o cozimento de calor elevado. (artigo 10). Numerosos estudos vistos em: http://www.marksdailyapple.com/defending-olive-oils-reputation/#axzz3y5lI6IIp Têm azeites expostos a altas temperaturas por longos períodos de tempo e medido como ela afeta as propriedades físico-químicas do óleo e suas qualidades nutricionais. Muitos destes estudos utilizaram uma temperatura elevada durante um tempo muito longo. Mas mesmo nestas condições extremas, o azeite se saiu muito bem.

Um estudo feito com vários tipos diferentes de azeite por 24 horas observou que ele era altamente resistente à oxidação. Azeite extra virgem, que é mais elevado em antioxidantes, foi o melhor nos testes (artigo 11). Outros estudos concordam com isso ... o azeite não oxida muito quando usado para cozinhar, enquanto os óleos vegetais como óleo de girassol  oxidam e formar compostos nocivos (Artigo12)

NO ENTANTO... Um estudo mostrou que a ingestão de uma refeição com azeite aquecido aumentou marcadores de oxidação no sangue em comparação com uma refeição com azeite de oliva sem aquecimento (Artigo13). Mas,neste estudo, o azeite de oliva NÃO ERA EXTRA VIRGEM e foi preparado por 8 HORAS ... por isso não é aplicável a uma situação do mundo real, especialmente se você está cozinhando com óleo de oliva extra virgem.

É também um mito de que o aquecimento azeite é prejudicial porque leva à formação de gorduras trans. Em um estudo, a fritura de um mesmo azeite 8 vezes, aumentou o teor de gordura trans de 0,045% para 0,082%. Ou seja,  ainda é uma quantidade insignificante (Artigo 14). No geral ... parece que o azeite é muito estável, mesmo sob condições extremas, como fritar por longos períodos de tempo.


Azeite tem um ponto de fumaça Moderadamente alto


O ponto de fumaça de óleo de oliva extra-virgem é algo em torno de 375-420 °. Isso o torna uma boa escolha para a maioria dos métodos de cozimento.

Cozinhar pode destruir alguns dos antioxidantes em Azeite?


Cozer o azeite normalmente é improvável que oxide ou danifique de forma significativa o óleo. No entanto, o aquecimento pode degradar alguns dos antioxidantes e vitamina E, que são sensíveis ao calor, mas nada a ponto de prejudicar sua qualidade nutricional.

Num estudo, aquecendo azeite a 180 ° C durante 36 horas, levou a uma diminuição em antioxidantes e vitamina E, mas a maioria dos compostos estavam intactos (Artigo 15). Um dos principais compostos ativos em azeite extra-virgem é chamado oleocanthal. Esta substância é responsável pelos efeitos anti-inflamatórios do azeite. O aquecimento  do azeite a 240 ° C durante 90 minutos, reduziu a quantidade de Oleocanthal por  apenas 19%, de acordo com uma análise química (Artigo 16).

Em outro estudo, simulando fritar por 24 horas reduziu alguns compostos benéficos, mas 10 minutos em um forno de micro ondas ou ferver em água teve efeitos leves na redução dos compostos (Artigo 17). Tenha em mente que os estudos que mostram que o calor degrada antioxidantes e vitaminas do azeite estão utilizando condições bastante extremas, praticamente inexistentes no dia-a-dia.

Você deve cozinhar com azeite?


 A qualidade do azeite extra virgem é de uma gordura saudável que conserva as suas qualidades benéficas durante o cozimento. A principal razão que você não pode querer usá-lo, é que seu aquecimento em excesso pode ter efeitos adversos apenas sobre o sabor. A crença de que o azeite oxida e fica rançoso durante o cozimento é um mito prejudicial, que assusta as pessoas, impedindo-as de usarem essa gordura incrivelmente saudável.


Artigos usados nessa matéria:




























domingo, 7 de junho de 2015

INGERIR LEITE E DERIVADOS CAUSA CÂNCER?

Tem havido uma grande quantidade de informações confusas nos jornais recentemente sobre leite e câncer. Será que leite causa câncer?A resposta a esta pergunta não é simples, por isso é fácil ver como você pode ser confundido.

www.alagoas24horas.com.br/

Pesquisadores e médicos concordam que a dieta e o câncer estão intimamente ligados. E comer uma dieta bem equilibrada pode ajudar a reduzir o risco de câncer. O que é mais difícil de dizer são exatamente quais os alimentos mais importantes em causar ou reduzir o risco de câncer. Estudos investigando uma ligação entre câncer e produtos lácteos não deram resultados claros. Alguns estudos mostram um aumento no risco de desenvolvimento de cancro, e alguns mostram uma diminuição. Devemos analisar alguns pontos, ou argumentos em relação aos prós e contras:

CORRELAÇÃO NÃO É CAUSALIDADE: O fato de vários artigos (ou dados de países que consomem mais leite) sugerirem que o leite está correlacionado ao câncer, NÃO QUER DIZER QUE ELE É A CAUSA. Existem várias atitudes no estilo de vida como, por exemplo, fumar, beber e sedentarismo que podem influenciar no desenvolvimento de um câncer, e não só basicamente a dieta. Isso não quer dizer que a dieta não influi. Mesmo assim um indivíduo que não fume, não beba, não consuma carne ou leite poderá ter câncer. Esses fatores apenas, caso sejam comprovados algum dia, podem aumentar a chance do cancro do existir, ou favorecer o seu desenvolvimento, e não causar.

(Sobre o famoso ESTUDO DA CHINA SUGIRO A LEITURA http://rawfoodsos.com/2010/07/07/the-china-study-fact-or-fallac/)
Um exemplo simples em que correlação pode não ser causalidade é o estudo publicado na revista Pediatrics, denominado Breakfast Eating and Weight Change in a 5-Year Prospective Analysis of Adolescents: Project EAT (Eating Among Teens). Este artigo afirma que adolescentes que tomavam o café da manhã eram mais ativos fisicamente, ingeriam mais fibras e tenderiam a ser mais magros do que os que pulavam o café da manhã. Mas seria o café da manhã, o responsável pela maior atividade física, entre os outros benefícios, ou seriam as pessoas mais ativas fisicamente que tenderiam a tomar café da manhã e ganharem menos peso corporal? Ao final do artigo os autores admitem que essa correlação talvez não fosse uma causa. Demonstraram um bom senso crítico ao próprio achado clínico.

OS POUCOS ESTUDOS FAVORÁVEIS AO LEITE SÃO PATROCINADOS PELA INDÚSTRIA:  Para a comunidade científica ainda analisar o caso do leite com devido cuidado e ainda não afirmar nada de concreto sobre alguns benefícios ou malefícios, o argumento de que existem poucos artigos favoráveis ao leite é inválido. Existem muitas evidências, com boa qualidade favoráveis ao leite. Não devemos confiar cegamente nos estudos patrocinados, nem muito menos desprezá-los (seja pela indústria do leite, farmacêutica, etc.). Existem excelentes evidências em vários estudos patrocinados, e sem eles, talvez, teríamos muitos atrasos em várias análises (infelizmente as pesquisas são caras e necessitam de apoio financeiro). Mas também sabemos que existe muita tendenciosidade em estudos patrocinados. De acordo com um estudo, Lack of involvement of medical writers and the pharmaceutical industry in publications retracted for misconduct: a systematic, controlled, retrospective study, aproximadamente 75% dos artigos retraídos por razões relacionadas com a má conduta não têm apoio financeiro declarado. Revisão da Cochrane (Industry sponsorship and research outcome (review), afirma que  estudos patrocinados possuem resultados e conclusões mais favoráveis do que os não patrocinados, entretanto, os estudos patrocinados pela indústria apresentaram baixo risco de viés de mascaramento  com mais freqüência do que os estudos não patrocinados pela indústria.

O LEITE NÃO É UM ALIMENTO ESSENCIAL A NUTRIÇÃO DO SER HUMANO ADULTO: Isso não é novidade nenhuma, nem na vida cotidiana das pessoas e nem para a ciência. Existem pessoas intolerantes e alérgicas que conseguem viver normalmente sem o leite. Assim como existem pessoas que não consomem carne, nem derivados animais (como o leite). E podem viver bem e saudáveis (devemos lembrar que alimentos como frutos do mar também induzem alergias). O leite pode trazer também benefícios à saúde humana, assim como trazer prazer em comer diversos dos seus derivados.

MAS DIVERSOS PROFISSIONAIS, MÉDICOS, NUTRÓLOGOS, NUTRICIONISTAS AFIRMAM QUE LEITE DE VACA É SOMENTE PARA O BEZERRO DEVIDO A UMA SÉRIE DE MALEFÍCIOS: Sim, existem tais profissionais. O fato de uma pessoa com elevado nível acadêmico e excelente currículo dizer uma coisa, não significa que ela seja verdade (principalmente notícias bombásticas como o aquecimento global não existe, está comprovado que leite causa câncer, fumar não faz mal, beber água alcalina rejuvenesce etc). Não tome isso como prioridade, investigue sempre. O argumentum ad verecundiam  é uma expressão em latim que significa apelo à autoridade, é uma falácia lógica que apela para a palavra de alguma autoridade a fim de validar o argumento. Este raciocínio é absurdo quando a conclusão se baseia exclusivamente na credibilidade do autor da proposição e não nas razões que ele apresentou para sustentá-la.  Procure ler sobre o assunto, verificar as metodologias dos estudos apresentados pelo especialista, saber se ele não distorceu dados, se só usou dados favoráveis, etc. Existem várias tabelas ou Pirâmides de evidência científica que classificam opinião de especialistas ou experts, como o pior nível de evidência:

http://www.elsevier.com/__data/promis_images/jses_chart.jpg

SE EU NÃO POSSO CONFIAR EM ESPECIALISTAS, E NÃO SEI ANALISAR EVIDÊNCIAS, ONDE PESQUISAR, EM QUEM CONFIAR?  Procure profissionais da área que saibam utilizar as melhores fontes (metanálises, guidelines, etc), e sejam imparciais no assunto. Muitas vezes, profissionais distorcem dados ao seu favor, de acordo com seu ponto de vista, e diversas vezes os mesmos artigos são utilizados em argumentos contra ou a favor a um mesmo assunto:

 (http://zip.net/bbrnQj Esse site dá um exemplo de distorção sobre conclusões de artigos).

Portanto sempre leia as referências (pelo menos as conclusões) e tire um parecer seu sobre o assunto. Diretrizes, guidelines, relatórios baseiam-se em recomendações oriundas de pesquisas extensivas, revisões críticas e síntese da literatura científica publicada.  Quando a literatura científica está incompleta ou inconsistente numa área particular, as recomendações refletem o julgamento profissional de membros e consultores. Cada Guideline reflete o estágio atual de conhecimento para determinado assunto.  Dadas as mudanças inevitáveis dos estágios da tecnologia e informação científica e revisões periódicas, deverão ser feitas mudanças nos Guidelines, para que estes estejam sempre refletindo as tecnologias emergentes.Como exemplos para consulta sobre guidelines temos o Cochrane, o Guideline Appraisal Project, AHCPR Guidelines. (trecho retirado do site http://www.virtual.epm.br/material/tis/curr-med/temas/med5/med5t41999/dado/dadomguid.htm).

MAS ATÉ O MOMENTO, QUAIS SÃO AS REAIS EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS PARA O CASO DO LEITE? CAUSA CÂNCER SIM OU NÃO? SE SIM QUAIS TIPOS DE CÂNCER? Como dito anteriormente, existem limitações nas pesquisas que impedem de dizer com clareza que a correlação entre câncer e leite é verdade. Referências para tentar responder esse questionamento existem em relatórios oficiais de institutos especializados em câncer. O Instituto Americano para Pesquisa do Câncer (American Institute for Cancer Research), que é associado ao World Cancer Research Fund, uma associação sem fins lucrativos que tem como visão viver em um mundo onde ninguém desenvolva um câncer evitável, elaborou em 2007 um compêndio oficial sobre as origens do câncer contendo 537 páginas, disponível em PDF gratuitamente no site da organização. Para facilitar a vida de muitos, link do PDF abaixo:

http://www.dietandcancerreport.org/cancer_resource_center/downloads/Second_Expert_Report_full.pdf0

Diversos cientistas (sejam eles contrários ou não ao uso do leite) usam esse documento como referência. Inclusive os conceituados David S. Ludwig e Walter CWillett, em seu editorial (opinião dos especialistas) denominado Three Daily Servings of Reduced-Fat Milk An Evidence-Based Recommendation?, na também conceituada revista JAMA, onde alertam para a probabilidade do leite talvez causar apenas câncer de próstata (Apesar de desatualizado, esse texto deve ser uma referência muito boa a ser lida).

O relatório de 2007, em seu capítulo 4.4 trata do leite e seus derivados. O capítulo afirma que há uma forte correlação entre consumo de leite e derivados com cancro de próstata (e também uma dieta com alto consumo de cálcio) e que o leite pode prevenir o aparecimento de câncer colorretal, e que são fracas as evidências para leite e câncer de mama. A maioria dos sites e artigos analisados tem como base o compêndio de 2007. Mas já existe um novo compêndio atualizado, de 2014, que afirma que após mais revisões com novos estudos, a evidência entre câncer de próstata e leite não é mais considerada forte, ou seja: diminuiu. Além disso, a evidência da associação entre dietas de elevado teor em cálcio e um risco aumentado de cancro da próstata é hoje considerado limitado, quando comparado com o relatório de 2007, em que foi considerada evidência forte.  Link para o novo compêndio de 2014 aqui:

World Cancer Research Fund International/American Institute for Cancer Research Continuous Update Project Report: Diet, Nutrition, Physical Activity, and Prostate Cancer. 2014. Available at:

www.wcrf.org/sites/default/files/Prostate-Cancer-2014-Report.pdf

Interessante citar também este artigo recente, de 2013, denominado de Effects of Milk and Milk Products Consumption on Cancer: A Review, que conclui que os benefícios comprovados do leite superam os riscos. Link do artigo em pdf aqui:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1541-4337.12011/pdf

Aqui mais um site interessante (aparentemente bom e sem distorção dos dados, no caso do câncer) http://www.dairynutrition.ca/ que faz várias considerações sobre o leite, e mostra dados interessantes sobre a relação do leite com algumas doenças (diabetes, hipertensão, problemas ósseos, inflamações), algumas onde ele possa beneficiar e outras se ele pode prejudicar ou ser nulo. A maioria das acusações contra o leite, segundo o site, com suas devidas referências, está sem evidências, ou em alguns casos como do câncer de próstata, com dados limitados.

O Câncer Research UK diz que: Um estudo europeu grande chamado EPIC (The European Prospective Investigation of Cancer) está atualmente a analisar a relação entre dieta, estilo de vida e câncer.Ele está produzindo uma série de relatórios sobre dieta e estilo de vida e uma variedade de tipos de câncer ao longo dos próximos 10 a 20 anos.  Se você gostaria de manter-se atualizado com os resultados do estudo EPIC, acesse o site: http://epic.iarc.fr/

CONCLUSÃO

Portanto, desconfie de médicos, nutrólogos, nutricionistas e outros profissionais que acusam o leite afirmando a todo custo que ele CAUSA câncer. Um profissional competente, ponderado e inteirado sobre o assunto não faria tal afirmação. No momento, a melhor recomendação é uma dieta saudável, bem equilibrada. O cálcio deve ser parte dessa dieta, e o leite é  uma importante fonte de cálcio. Uma dieta saudável também deve ser rica em fibras e incluir pelo menos cinco porções de frutas e legumes todos os dias.  É melhor evitar fumar, limitar a ingestão de álcool e praticar esportes se possível.